Após 27 anos de pura pressão, oficializei em 2010 minha saída das competições. Mas o que fazer da vida agora? Não sabia ainda. Tinha certeza mesmo do que eu não queria fazer.

Eu sempre amei a liberdade, esse lance de buscar evoluir como ser humano, ensinar, aprender, viver intensamente e buscar novos desafios. No fim, a vida sempre se resumiu a isso para mim. É o que alimenta minha alma.

Saí do ambiente das competições e fui buscar minha formação como coach, na Sociedade Brasileira de Coaching / SP. Fui evoluindo na área, fazendo outros cursos e quando vi estava palestrando para grandes empresas de todo o Brasil e me afastando do mar.

Pausa..

Enquanto tudo isso acontecia, eu ouvia das pessoas: Me ensina a surfar? Me dá aula de surf?

Nessas horas, parava e pensava: tenho 31 anos de surf, todas as “ferramentas do coach” para lidar com ser humano e seus desafios e minha própria experiência de vida (lidar com os desafios, superar os medos, ter postura de campeã). Tenho as ferramentas, tenho a demanda, tenho energia! O que eu realmente quero?

Essas reflexões povoavam a minha cabeça. Tantas mudanças estavam acontecendo após mais de duas décadas competindo. Meu próximo passo na vida seria esse. Queria continuar tocando no CORAÇÃO das pessoas.

Na prática, já estava fazendo isso através das minhas palestras e da minha história de vida: M.A.R – uma vida de Metas, Atitudes e Resultados.

Mas eu queria mesmo era ensinar e viver com as pessoas que eu estava atraindo: o que era surfar e fazer parte do mar? Não significa desafiar o mar, lutar contra ele, nada disso! Surfar sempre foi, pelo menos para mim, fazer parte do MAR.

Outubro de 2014

Novo desafio: estruturar uma escola de surf diferenciada. Passando por todo “plano de negócios”, contatos e oportunidades, começamos com aulas particulares entre 2014 e 2015.

De forma meteórica estava com uma super equipe de professores, duas bases maravilhosas no Rio e mais do que tudo, estava SUPER feliz por essa oportunidade de ensinar um esporte maravilhoso, de ensinar sobre o M.A.R.

Esse foi o ponto e continua sendo: ensinamos o mar, observamos, sentimos e falamos do mar. O surf? Sim, ensinamos o surf de forma bem especial, individualizada, entendendo o universo de cada ser humano e buscando promover o que existe de melhor dentro de cada um.
A história estava apenas começando, recomeçando. A paixão sempre viva, o amor no contato com as pessoas e o SURF catalisando todo cenário. Meu mar. Mar doce lar. VIDA.

Veio o primeiro aluno e ele tinha seis anos. Louco de paixão por aventuras, o pequeno Klaus trouxe toda a sua escola para surfar. Ô garoto transformador!

Andrea Lopes Surf School

Estávamos sempre com aulas lotadas, muita criança, muitos pais querendo também surfar e sentir a mesma alegria que os filhos declaravam. Então vieram as viagens. Itamambuca, Floripa, El salvador, Costa Rica e eu vivendo tudo outra vez! Feliz por saber o que as pessoas estavam SENTINDO quando deslizavam pelas ondas!

Vidas mudando, vidas se transformando, posturas dentro e fora da água mais firmes, sorrisos mais largos. VIDAS sendo vividas! E assim seguimos…

Minha equipe de professores passou a ser minha família. Ex-surfistas profissionais que trabalham comigo, surfistas de alma que pegam onda há mais de 10 ou 15 anos, pessoas bem legais. De alma!

Todos seguindo a minha maneira de surfar, a minha metodologia de lidar com o ser humano e de como ensinar este esporte maravilhoso. Esse ponto é o mais mágico e desafiador. É o que me encanta. Lidar com o medo das pessoas (do mar) e através do surf alimentar o que de melhor existe dentro de cada um.

Começamos trabalhando a postura. Fora da água, a forma que “falam” com o mundo e como declaram que desejam surfar. Eu sempre fui uma pessoa de olhar firme, de não alimentar o medo. E mesmo nas competições e adversárias difíceis, eu olhava firme para “vencer”, desde fora da água.

Hoje nosso movimento na escola é muito grande. Crianças de seis anos até adultos de 56 anos. Alunos especiais e pessoas que nunca se imaginaram no mar. Hoje eles amam esse infinito oceano e ficam felizes através da sua própria experiência ou de estar sentindo a alegria de um filho.

Nossa escola só trabalha com aulas individuais, para todos os níveis. Mesmo com uma equipe de sete highlanders (minha equipe de professores top) eu faço questão de ver, falar, nadar junto e participar das aulas. Sou o elo de ligação entre todos e a construção do relacionamento dentro da escola.

Para funcionarmos, tenho uma cabeça super pensante que também ama o mar. É a “Dri". Assim todos a chamam e ela “faz tudo acontecer” dentro da escola. Somos nove na equipe e mais uma vez repito: somos uma grande família!

Amo lidar com pessoas e vejo cada um (alunos e pais) como universos diferentes e únicos. Lidar com cada um deles e ajudar no seu processo de superação e desafios é muito mágico. Preciso, às vezes, deixar o coração falar e outras vezes colocar a “faca nos dentes” e remar forte, mostrar a GARRA de uma campeã.

Tomar decisões que tragam resultado. Um olhar que a vida de “auto-empresária” me ensinou. Sempre cuidei da minha carreira e foram 27 ano vivendo do esporte.

Voltando a falar das pessoas, cuido de cada um de forma muito especial. Tenho alunos de seis anos que amam o mar e não falam de medo. Preciso ensiná-los a respeitar o ambiente e entender as ondas.

Tenho crianças que falam só de medo e procuramos despertar a força dentro delas. Tenho adultos que buscam resgatar a qualidade de vida e querem estar no mar mais do que tudo.

Temos alunos especiais que tocam nossos corações com o sorriso que não esconde sua alegria e evolução. O surf ajuda muito na autoestima deles, na postura. E também desperta alegria. Isso vale ouro.

Criei um trio de alunos, três jovens que são formadores de opinião e decidi treina-los e viajar pelo mundo. Chama-se: Trio Nova Geração Guaraviton.

Estamos juntos há quatro anos e a transformação destes adolescentes foi inacreditável. As fotos falam mais do que minhas palavras. Grande orgulho. Eles acendem meu fogo de competidora. Sim, esse fogo que ilumina minha alma de ex-atleta, de mulher que constrói e de amante do mar.

Não posso deixar de citar uma aluna que veio surfar aos 52 anos e hoje não somente surfa, mas nada no mar, faz Sup Wave, Sup Race. Ela mudou radicalmente sua postura corporal e com a vida. Ela é mais do que uma surfista, é uma vencedora. E se chama Andrea, minha xará.

Somos uma escola de “watermans” e amantes do mar. Entre crianças e adultos, unimos a vontade e a fissura de surfar e viver. Sou apenas uma catalisadora de todo esse desejo.

Com gratidão!

Foto de Capa: Juliana Maiarotti

Andréa Lopes é tetracampeã brasileira de surf profissional (1999, 2000, 2001, 2003 e 2006) e foi a primeira brasileira a ingressar no circuito mundial de surf em 1991.

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