Alma Surf celebra 20 anos da morte do lendário Pepê Lopes

Confira a seleção de imagens de um dos maiores ídolos no esporte do país, o eterno precursor da "geração saúde"

por Mariano Kornitz, 08/04/2011
Como surgem os mitos? Alguns seres humanos são fora de série, dotados de um brilho diferente, um encantamento, além de um olhar, que poucos, ou somente aqueles seres divinos possuem. Pedro Paulo Guise Carneiro Lopes, o Pepê, tinha todos os requisitos de um indivíduo desse gabarito.

Há exatos 20 anos o Brasil perdia um de seus maiores ídolos nos esportes radicais. No dia 4 de abril de 1991, o carioca Pepê Lopes saltava para seu último voo nos céus do Japão, onde 10 anos antes havia conquistado o título mundial de asa-delta. O eterno esportista precursor da “geração saúde” deixou saudades e ensinamentos.

Já faz tempo que Pepê partiu, mas ele ainda é lembrado como um exemplo entre todas as gerações. O carioca marcou a história do esporte brasileiro. Aos 13 anos de idade, Pepê foi bicampeão carioca mirim no hipismo e quase dois anos depois já se arriscava nas ondas para vencer seus primeiros campeonatos, além de ser dono de inúmeros títulos no voo livre.

Sua trajetória no surf começou a ser traçada em 1975, quando partiu para Saquarema para enfrentar os principais nomes do surf brasileiro em uma importante competição. Competidor nato, Pepê se destacou entre lendas como Ricardo Bocão, Otávio Pacheco e Rico de Souza para ficar com o título.

Pouco tempo depois, em 1976 Pepê foi convidado para participar do Pipeline Masters – um dos mais tradicionais campeonatos de surf, realizado em Pipeline, no Hawaii -, e o carioca fez bonito. Pepê mais uma vez se destacou durante toda a competição, garantindo a sexta colocação na final do evento.

No mesmo ano, Pepê tornou-se o primeiro surfista brasileiro a vencer uma etapa do circuito mundial válido pela IPS (International of Professionals Surfers), o saudoso Waimea 5000, realizado no Arpoador – tradicional palco de competições de surf no Rio de Janeiro.

Depois de muitas viagens ao redor do mundo, surfando mares clássicos, sempre determinado a ultrapassar os limites, no final da década de 1970 Pepê decide trilhar novos rumos e encontra no voo livre sua nova paixão. Segundo o próprio Pepê, as ondas brasileiras eram pequenas e ele queria algo mais, que pudesse ter mais emoção. Por isso, escolheu outro esporte, onde encontrou seus mais profundos desejos, além da adrenalina que tanto buscava.

Através de sua postura saudável, teve a ideia de montar uma barraca na praia do Pepino em São Conrado – berço do voo livre carioca - para alimentar os surfistas, amigos e os próprios voadores com os famosos sanduíches naturais que preparava.

Com muitas vitórias em sua curta carreira, Pepê tornou-se um dos mais admirados e respeitados atletas do mundo, conquistando o título mundial com apenas 23 anos de idade. Já em 1988 é inaugurada sua nova barraca no final da praia da Barra da Tijuca. Com um novo “layout”, num dos locais mais nobres da cidade maravilhosa - carinhosamente chamado de praia do Pepê.

O ACIDENTE

No dia 4 de abril de 1991, no Torneio Internacional de Wakayama, no Japão, que acontecia em condições climáticas não favoráveis, alguns atletas tentaram cancelar a prova no decorrer das disputas. Contudo, o sempre determinado Pepê havia dito para a comissão técnica que não se importaria em participar e na companhia de mais dois competidores, partiu para seu último voo.

Tanto o clima quanto o vento estavam fora de controle. Depois da largada, os três pilotos perderam altitude e foram obrigados a realizar um pouso de emergência em um terreno bastante ríspido, com muitas árvores e rochedos. Sempre muito profissional, Pepê procurou pelo melhor local para pousar, mas chocou-se contra uma das rochas e se feriu seriamente.

O socorro médico demorou muito para resgatá-lo, ocasionando uma hemorragia interna. Um dos atletas mais queridos do circuito faleceu algum tempo depois, aos 33 anos de idade.
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