A odisséia de Ulisses Vinicius nos tubos da Indonésia

Local da praia da Pipa, Ulisses Vinicius pega altos tubos, anda de skate, caça e leva uma vida de muita ação com a família em Bali.

por Alceu Toledo Junior, 17/02/2018
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Há tempos estou com essa entrevista parada e mal podia esperar para publicar.

Afinal, não é sempre que a gente dá de cara com um tube rider da melhor qualidade, atirado e destemido nas bancadas, de apenas 13 anos! Quando eu vi um vídeo da Greenish no Facebook, pensei na hora: preciso falar com este cara!

Moleque bom de aéreo e de manobras progressivas tem um monte. Agora, bom de tubo é outro história. Mas, Ulisses Vinicius Pereira também faz a  diferença fora da água. Ele postura. Inteligente, articulado e dono de um vocabulário meio incompatível com a média dos surfistas de sua idade, Ulisses impressiona mesmo é por sua simpatia, sempre alegre e com a vibe no talo.

Ulisses Vinicius é do Rio Grande do Norte, pega onda desde os 3 anos e mora na Indonésia com a família.

"Viver aqui era um sonho do meu pai, morar em um lugar com água quente, ondas tubulares e sem ataques de tubarão", diz o garoto.

Não foi fácil tornar este sonho possível, pois durou sete anos para o pai Caio obter a guarda definitiva de Ulisses. "Minha mãe de sangue é argentina e eu fui registrado lá como tendo pai desconhecido. Meu pai teve que fazer DNA e estas coisa todas. Foi uma luta mas ele conseguiu resolver tudo depois de longos sete anos. Uma semana depois, viajamos para a a ilha dos deuses, da paz e dos tubos.

Fora do surf, ele leva uma vida normal como todo garoto de sua idade. Além do surf, ele também curte caça submarina e skate. Um parceiro que ele admira é o carioca Felipe Cesarano.

Ele também não dispensa os filmes de surf: "É onde estão os mestres", define. E o melhor tubo da vida é "aquela onda que parece ser fechadeira", simplifica

Quando não tem onda, Ulisses aproveita pra caçar e levar o almoço pra casa. Depois, leva a irmãzinha pra brincar na marola.

"Estudo das 8 às 15 horas. E volto logo vou para Uluwatu, a mais constante onda da ilha de Bali.E na maré baixa tem bons tubos no Inside Corner. Mas se tem um bom swell, meu pai libera da escola por até dois dias. Depois, paga para uma professora particular, para que eu não perca o que foi dado na escola. Às vezes, surfamos na madruga só para ir a escola salgado e instigado", brinca.

Para passear pelos tuboe, um quiver de sonho. "Fiz contatos no Brasil e recebo muitas prancha do Henry Lelot, do Rio de Janeiro. Também tem o Felipe Souto, um cara que fabrica pranchas na Pipa. E o Tales Andrade, que me patrocina com assessorias e me deu quatro Tokoro. Fiz um quiver incrível, biquilha, triquilha, quadriquilha e uma single fin. Gosto de tentar surfar com todo tipo de prancha, pois meu pai fala que isso vai me proporcionar mais sensibilidade e estilo. Tenho prancha 4"5 até 5"3 e um mini long 5"5. Sou ou não sou um cara de sorte? Tamém tenho um patrocínio do melhor bloco do Brasil, o Teccel, uma parceria com o Fernando Câmara", explica.

"Tenho mais outras parceria com Marcelo Sergio, da Banana Wax. Não falta assessoria, o Tales Andrade, da Silverbay, com capas, deck, cordinha. Já o Petrônio, da Greenish, fornece roupa e uma graninha por mês que dá para comprar bastante Bang Bang, um chocolate local. Outro apoio é de um representante de resina fibra etc para prancha, Dcofibrassilva", enumera.

Entre os surfistas que ele admira, cita Kian Martin, filho de brasileiro e que também mora na Indonésia. Para ele, Bronson Meidy, um havaiano da Hurley, é um verdadeiro ET surfando.

"Estes garotos são simplesmente uns dos melhores surfistas do mundo. Estou muito longe do surf deles, são competidores completos, acrobatas. Eu já sou mais para tubos e estilo. Tem um outro indonésio da Hurley, o Eli Hanneman, filho do lendário surfista indonésio Rizal", relata.

Ele também gosta de Gabriel Medina, Felipe Toledo, e Italo Ferreira por terem um surf "muito progressivo", diz. "Mas quem eu assisto mais videos, é o Diego Santos Bonfiglioli. Ele, Bruno Santos e o John John Florence são meu mestres nos tubos. Já em ondas grandes, me espelho no Felipe Cesarano, Everaldo Pato e o gringo Shane Dorian é outro", ressalta.

Mas, acima de tudo, o paizão, Caio Pereira de Souza Junior, é a inspiração maior para os tubos. 

"Ele fica pouco tempo na água. Tem 54 anos e entuba muito. É meu técnico para os tubos. Ele diz assim: Viu filho? Fiquei lá na cozinha e saí."

"Não é história de filho fã do pai, vou te mandar umas fotos dele!", garante com razão, e as fotos estão na galeria acima para comprovar.

Ulisses ainda não surfou em outro lugar fora do Brasil e da Indonésia e o sonho dele é ir para o Hawaii.

Enquanto isso, ele aproveita a imensa variedade de bancadas para pegar cada vez maiores e mais longos tubos, "Minha onda amada é Nias", conta. Ele também gosta de Desert Point e Padang Padang, mas não vê a hora de pegar os tubos de Pipeline. Da maneira que ele evolui nos tubos, não vai demorar muito tempo para ele se acomodar com talento na bancada de Banzai.

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