Gravação de brasileiro pode ter fechado ponto turístico no Chile

O kitesurfista Reno Romeu estava gravando seu programa para o Canal Off. Fato causou grande repercussão nas redes sociais.

por Redação Almasurf, 17/01/2018
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O vídeo de um turista praticando kitesurf, em uma lagoa do deserto do Atacama, no Chile, tem gerado polêmica nas redes sociais. O atleta Reno Romeu, que tem um programa no Canal Off, teria feito uma gravação no local e espantado algumas espécies nativas, o que causou, inclusive, o fechamento de parte do deserto, que é um dos mais procurados da região para visitações.

O esportista nega que tenha causado qualquer dano ambiental ao local. O registro, supostamente feito por um guia de turismo, mostra o brasileiro praticando o esporte em uma das lagoas de Piedras Rojas das Águas Calientes do Salar de Tara, no deserto, que cobre grande parte do país Sul-Americano. Há relatos, nas redes sociais, de que um drone estava sendo usado para as gravações da próxima temporada do programa.

As gravações aconteceram em meados de dezembro do ano passado. Mas a repercussão do fato ainda gera indignação em blogs e páginas de turismo. Segundo visitantes da região, o local é habitat de flamingos e pássaros, que tiveram que abandonar suas áreas de alimentação em decorrência de "atividades incomuns", feitas principalmente por “turistas irresponsáveis”.

“Para nossa total decepção, os responsáveis foram brasileiros, e o mais inacreditável, filmando para um canal de esportes radicais de grande influência”, afirma a página do Atacama Trips, no Instagram. "Todos os locais que visitamos por aqui são ancestrais, frágeis, protegidos, sendo alguns intocados. Essa lagoa em específico é local de descanso de aves como os flamingos (ameaçadas de extinção) e outras espécies frágeis, que se assustam com barulhos, com drones, como a invasão que ocorreu”, postou o Araya Atacama em sua página no Instagram. A postagem ainda fala sobre a comunidade local. “Os povos indígenas, que têm suas raízes aqui, se sentiram lesados, invadidos e desrespeitados. Eles são donos dessas terras, seus antepassados estavam aqui e cuidaram disso por séculos”, complementou.

O atleta também se defendeu das acusações pelas redes sociais, afirmando que nem ele nem a equipe do programa causaram nenhum tipo de dano ambiental. “A prática em Piedras Rojas não foi realizada por turistas irresponsáveis, e sim por kitesurfistas profissionais, que por meio de imagens e informação consciente divulgam o esporte e os mais diferentes locais, sua gente e tradições, como já ocorreu nos lagos da Mongólia, nas ilhas caribenhas, no Egito, Marrocos, África do Sul e no Pólo Norte, entre tantos outros”, afirmou Reno Romeu.

Ainda segundo ele, não há qualquer restrição de atividades no local. “Da mesma forma, cabe deixar bem claro que nas Piedras Rojas e em suas imediações não há qualquer barreira, identificação, placa de informação ou presença de representação da associação de povos indígenas locais ou de qualquer órgão que aponte qualquer impedimento de atividades ao local ou que esta seja uma área sagrada. Em outros locais, como o Geiser del Tatio, a presença destas pessoas é efetiva e a gestão admirável”, diz.

Em entrevista ao portal chileno "BioBio Chile", o diretor da Corporação Nacional Florestal, do Chile (Conaf) Alejandro Santoro Vargas, especialista em áreas protegidas, disse que os possíveis danos causados pelas atividades esportivas na lagoa são reversíveis. Segundo ele, devido aos impactos imediatos no local, a fauna desaparece por um tempo, mas depois retorna.

O diretor ainda explicou que o local não faz parte de área protegida pelo Conaf, nem está sob sua administração. "Nossas atribuições neste caso não nos permitem obrigar, mas educamos e informamos o turista", disse Santoro. Mas ele afirma que não há desculpas para não preservar uma área como esta, e que a ação de uma só pessoa pode causar um grande dano ambiental.

Segundo Gabriela Doss, representante de turismo do Chile no Brasil, a informação de que a área foi fechada para visitações ainda não é confirmada. "Ainda estamos correndo atrás da informação com o governo chileno, mas como hoje (16) é feriado no Chile, devido a visita do papa no país, só conseguiremos isso no decorrer da semana", diz.

Nota de Esclarecimento - Kitesurf Deserto de Atacama (Nota publicada no Facebook do kitesurfista Reno Romeu)

Nos últimos dias temos sido apontados como turistas irresponsáveis que criaram impacto sobre a fauna do setor PiedrasRojas das Águas Calientes do Salar de Tara, no deserto de Atacama. Neste sentido cabe esclarecer:

Somos atletas de kitesurf, um esporte limpo que não polui, que utiliza a força do vento e que se desenvolve em diversos lugares do mundo, em especial naqueles onde condições propícias, beleza e natureza se completam, inclusive áreas protegidas onde o uso público é permitido.

Nos últimos anos, o esporte cresce em todo o mundo e, especialmente, vem sendo a força motriz do desenvolvimento local, gerando emprego, oportunidades e renda para comunidades tradicionais, como ocorre no litoral do Brasil.

A prática em Piedras Rojas não foi realizada por turistas irresponsáveis e sim, por kitesurfistas profissionais que por meio de imagens e informação consciente divulgam o esporte e os mais diferentes locais, sua gente e tradições, como já ocorreu nos lagos da Mongólia, nas ilhas caribenhas, no Egito, Marrocos, África do Sul e no polo Norte, entre tantos outros.

Em todos os lugares, inclusive nos salares e lagos no Chile, e por onde velejamos, coletamos lixo e plásticos na água, um dos maiores impactos sobre a fauna aquática em todo o mundo. Já salvamos espécies animais, inclusive pinguins-de-Magalhães (Spheniscus magellanicus) que foram cuidados por profissionais e devolvidos aos mares patagônicos, com recursos e custos próprios.

No desenvolvimento de nossas atividades profissionais avaliamos previamente os locais onde as filmagens são realizadas, a presença de animais e plantas, de modo que não sejam importunados e respeitadas todas as regras e legislação locais, o que inclui Unidades de Conservação, santuários, áreas de comunidades tradicionais e povos indígenas, áreas privadas e de segurança.

Piedras Rojas não é uma área protegida pelo CONAF, como relata ao jornal BioBioChile o senhor Alejandro Santoro Vargas, diretor da CONAF da região de Antofagasta e especialista em áreas protegidas.

“Alejandro Santoro Vargas, director de la Conaf de la región de Antofagasta, y experto en áreas protegidas, en conversación con BioBioChile se refirió al polémico registro reconociendo que la práctica de dicho turista tiene impacto y genera una alteración mediana en el sistema ambiental, pero reversible -la fauna se va y luego vuelve-, pues dicho salar es zona de descanso y alimentación de flamencos y otras especies, más no zona de nidificación.

Sin embargo, el director fue enfático en destacar que el sector no forma parte del área protegida por la Conaf y no se encuentra bajo su administración. Es más, aseguró, el terreno no tiene afectación de manejo, ni de conservación desde el punto de vista jurídico”.

(Alejandro Santoro Vargas, director do Coorporação Florestal Nacional do Chile da região de Antofagasta e especialista em áreas protegidas em conversa com BioBioChile se referiu ao polêmico registro reconhecendo que a prática do turista tem impacto e gera uma alteração mediana no sistema ambiental, porém reversível – a fauna se vai e logo volta, pois o dito salar é uma zona de descanso e alimentação de flamingos e outras espécies, mas não é zona de nidificação.

Porém, o diretor foi enfático em destacar que o setor não faz parte da área protegida pelo CONAF e não se encontra sob sua administração. E mais, assegurou, o terreno não tem ação de gestão, nem de conservação do ponto de vista jurídico - Tradução livre)

Disponível em http://www.biobiochile.cl/…/dano-ambiental-indignacion-caus…

Em nenhum momento flamingos ou qualquer outro animal terrestre ou aquático foram perseguidos ou importunados.

As Piedras Rojas não foram sequer pisadas pela equipe.

Da mesma forma, cabe deixar bem claro que nas Piedras Rojas e em suas imediações não há qualquer barreira, identificação, placa de informação ou presença de representação da associação de povos indígenas locais ou de qualquer órgão que aponte qualquer impedimento de atividades no local ou que esta seja uma área sagrada. Em outros locais, como o Geiser del Tatio, a presença destas pessoas é efetiva e a gestão admirável.

A restrição de acesso a Piedras Rojas, neste momento, não se deve somente à veiculação de forma distorcida da prática do Kitesurf, mas ao acúmulo de problemas locais como o aumento do turismo de grande escala, que gera lixo, pichações e descarte de dejetos humanos e o avanço das atividades de mineração, entre elas, de lítio. O kitesurf na lâmina da água é de baixo e efêmero impacto.

Desta forma, estamos surpresos com a repercussao especulativa que vem sendo alimentada nas redes sociais, que nao condizem com a veracidade dos fatos e geram o ódio e todos os males da desinformação.

Assim, reiteramos nosso total apoio às comunidades tradicionais e aos povos indígenas de todo o mundo, ao fortalecimento das unidades de conservação, aos projetos de desenvolvimento sustentável e turismo de base comunitária e, neste momento, em especial ao povo atacamenho que luta pela preservação de suas terras e tradições.

Acreditamos que os esportes de aventura, como o kitesurf, possam beneficiar comunidades locais e fortalecer o turismo de qualidade. Respeitamos a natureza, pois dela depende a nossa vida, a nossa forma de viver. Levamos ao público a prática de um esporte saudável e limpo. 

As informações são do portal Em Tempo

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