Pequena gigante

Sexta personagem da série Minas ao Mar e pioneira no segmento, Silvia Winik enfrentou o preconceito para garantir seu espaço nos outsides do mundo

por Lucas Conejero, 25/06/2019
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Quem mora ou frequenta o Guarujá com toda certeza conhece o trabalho da Silvia Winik. Fotógrafa pioneira de surf, a paulistana radicada na baixada santista marca presença há muitos anos nas areias e nos outsides dos principais picos da região e do mundo.

Com vasta experiência e muitas fotos publicadas em diferentes veículos, Silvinha, como é conhecida pela comunidade paulista do surf, é a sexta personagem da série Minas ao Mar.

“Já sofri ameaças de morte por não fotografar um determinado cara. Um machismo nada a ver com espírito do surf. Fico muito feliz que as mulheres estão entrando na água para registrar as sessões da galera. Tenho amigas que são excelentes nadadoras e fico na torcida para que esse movimento continue”, conta Winik.

Como e quando o surf passou a fazer parte da sua vida?

O surf sempre fez parte de minha vida. Eu surfava de bodyboard e adoro nadar em mar aberto, adoro mergulho livre e autônomo. Depois passei para as pranchinhas, mas o grande lance é que sempre quis estar dentro da agua. Sou formada em Ecologia e trabalhei como pesquisadora cientifica junto aos Golfinhos Rotadores de Fernando de Noronha.

E como surgiu sua paixão pela fotografia? Você estudou ou é autodidata?

Sou praticamente autodidata na fotografia. Aprendi errando muito e acertando também. Comecei no ramo depois de uma parceria com a equipe da Bad Boy / STComp, que montou uma equipe de mídia no Guarujá. Eu tinha acabado de voltar de Noronha. Sofri um acidente e precisei operar meu braço. Foi então que consegui um trabalho na webhouse e comecei a fazer os reports de surf para o site BadBoy e STComp. Foi um inicio de aprendizado já trabalhando e me apaixonei pela fotografia naturalmente.

E o melhor mar ou o mais “memorável” da sua carreira, qual foi?

São tantos que não consigo descrever um só. Mas tenho uma sessão inesquecível. Estava filmando de jetski em Phantoms, um reef havaiano de outside, com o Sylvio Mancusi e o Cauã Reymond. Então o canal fechou e o Carlos Burle me disse: agora você vai ver uma onda realmente show! Então ele dropou a onda comigo na garupa do jet. A bomba deveria ter pelo menos uns 6 metros. Essa é uma cena que não esqueço, foi muito emocionante.

O surf é um ambiente tradicionalmente machista. Foi mais difícil conquistar seu espaço, sofreu preconceito?

O machismo é muito forte no surf. Tem muito cara que gosta da presença feminina na água, mas muitos se incomodam. Só depois de verem que seu trabalho é legal que caem as armaduras. Inclusive, já sofri ameaças de morte por não fotografar um determinado cara. Um machismo nada a ver com espírito do surf. Apesar de tudo, de todo esse preconceito, tenho amigas que são excelentes nadadoras e seriam grandes fotógrafas. Fico na torcida para que esse movimento continue.

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