De volta às origens

Romeu Andreatta lamenta a péssima estrutura do Pan-Americano no Peru e comenta sobre a reestruturação da CBSurf

por Romeu Andreatta, 13/12/2018
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Acabei de chegar de Lima, Peru. Fui oficialmente representar o Brasil nos jogos Pan-Americanos, o PASA Games 2018. A viagem não poderia ser mais produtiva e enriquecedora.

Persigo muitas situações que exigem certezas, da mesma forma que persigo situações que me levam às duvidas. No caso do surf e nossos esportes irmãos, como SUP, SUP Racing e longboard, busco certezas para uma nova empreitada.

O objetivo é reconstruir e profissionalizar a base esportiva competitiva brasileira via Confederação Brasileira de Surf, com o suporte do Comitê Olímpico do Brasil, do Comitê Olímpico Internacional, da International Surfing Association e da WSL.

Cheguei com uma grande certeza: estamos absolutamente esgotados do atual modelo mediocratico, um verdadeiro pacto com a mediocridade, uma volta aos anos 1980.

O PASA, com toda certeza, foi o evento mais irrelevante que já participei. Nem mesmo em Punta Heromosa, sede das disputas, sabia-se ou falava-se sobre o campeonato.

Os patrocinadores estavam presentes, como Claro, Hynday e Quiksilver, mas sem nenhuma ativação. Postura que destaca a falta de importância dada ao principal campeonato continental de surf, inserido pela primeira vez no ciclo olímpico. A melhor definição para o que vi é: vergonha.

Não podemos mais aceitar o surf ser dirigido por incompetentes e no contexto Pan-Americano, por imorais. Para ilustrar o que houve, vou usar o caso do longboarder brasileiro Phil Rajzman. Esse é apenas um dos vexames ocorridos durante o evento.

Phill quebrou e era franco-favorito ao título da categoria. Mas uma nova regra obriga que as ondas sejam filmadas para que as notas sejam confirmadas. Em cada bateria, obrigatoriamente, seriam necessárias quatro câmeras, certo? Mas só havia uma.

Resultado: perderam a melhor onda do brazuca e, para surpresa geral, simplesmente o desclassificaram do campeonato. Foi um lance tão bizarro que não dá nem para considerar um “roubo”.

Não vejo mais como isso possa continuar e tenho certeza absoluta de estar no caminho certo para a reestruturação da CBSurf. No projeto, conto com nomes de referência do mercado, com estagiários voluntários da Ambev nos departamentos organizacionais e desportivos, além de uma aproximação com os responsáveis pelo Rugbi, referência de excelência da gestão esportiva brasileira e mundial.

Estamos com um time de ouro e o surf brasileiro é Ouro Surf!

É hora de varrer os medíocres, os preguiçosos, os burros e o que de pior existe no nosso amado esporte.

Resultados

O destaque brasileiro na competição ficou com a longboarder Chloé Calmon, campeã da sua categoria. O time brasileiro terminou a disputa geral na segunda colocação, atrás dos peruanos.

Outros destaques foram Atalanta Batista, vice-campeã na longboard, Luis Diniz, vice na SUP Surf Masculino, Vinnicius Martins, vice na SUP Technical Race, Nicole Pacelli, terceira colocada na SUP Surf Feminino e Caio Vaz, também em terceiro na SUP Surf Masculino.

Resultados PASA Games 2018

Equipes

1 Peru 12,502
2 Brasil 11,953
3 Argentina 9,986
4 Costa Rica 9,623
5 USA 8,968
6 Canadá 8,928
7 Equador 8,666
8 México 8,631
9 Venezuela 8,283
10 Chile 8,186
11 Porto Rico 7,816
12 Colômbia 7,268
13 Rep. Dominicana 3,580
14 Uruguai 2,840
15 El Salvador 1,750
16 Barbados 1,675
17 Guatemala 1,220
18 Jamaica 930
19 Panamá 750
20 Ilhas Virgens 420

Open Masculino

1 Francisco Bellorín (VEN) 14.17
2 Anthony Fillingim (CRI) 12.20
3 Alonso Correa (PER) 10.70
4 Johnathan Corzo (MEX) 10.07

Open Feminino 

1 Brisa Hennessy (CRI) 14.50
2 Dominic Barona (ECU) 14.17
3 Daniella Rosas (PER) 10.40
4 Chelsea Tuach (BAR) 8.47

Longboard Masculino

1 Benoit Clemente (PER) 16.50
2 Surfiel Gil (ARG) 14.27
3 Lucas Garrido Lecca (PER) 13.30
4 Wenderson de Almeida (BRA) 12.73

Longboard Feminino

1 Chloe Calmon (BRA) 15.34
2 Atalanta Batista (BRA) 12.47
3 Brisa Hennessy (CRI) 6.97
4 María Fernanda Reyes (PER) 6.50

SUP Surf Masculino

1 Giorgio Gómez (COL) 13.46
2 Luis Diniz (BRA) 12.20
3 Caio Vaz (BRA) 11.93
4 Finn Spencer (CAN) 10.67

SUP Surf Feminino

1 Isabella Gómez (COL) 11.90
2 Vania Torres (PER) 8.77
3 Nicole Pacelli (BRA) 8.53
4 Brissa Málaga (PER) 5.67

SUP Race Masculino

1 Itzel Delgado (PER) 24:58:60
2 Vinnicius Martins (BRA) 25:02:20
3 Giorgio Gomez (COL) 25:16:85

SUP Race Feminino

1 April Zilg (USA) 27:52:71 1
2 Maricarmen Rivera (PUR) 28:08:84 2
3 Lina Augaitis (CAN) 28:11:16