Lucas Fink é vice-campeão do mundo

Brasileiro garante a segunda colocação em sua estreia no Circuito Mundial de Skimboard

por Lucas Conejero, 03/10/2018
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Lucas Fink conquistou na semana passada o vice-campeonato mundial de skimboard. Ele é o primeiro atleta brasileiro a correr todas as etapas do circuito com apoio de um grande patrocinador.

Skimboarder desde garoto, quando amigos lhe apresentaram a modalidade, o jovem de 20 anos bateu um papo com a equipe da Almasurf, comentou sobre a boa colocação logo na estreia, a cena brasileira atual e as perspectivas de futuro.

É a primeira vez que um atleta brasileiro tem condições via patrocínio de correr o circuito mundial inteiro e já somos vice-campeões. 

Correr esse circuito sempre foi um sonho, desde criança. Cresci vendo a galera correr os eventos, os cascas grossa nos vídeos e sempre sonhei em poder estar lá no meio. Acredito que nada é impossível para quem sonha e consegui conquistar meu espaço. É tudo uma questão de perseverança, foco, dedicação. Ainda falta um pouco de apoio, mas já ajudou bastante. Tive que tirar dinheiro do bolso e tranquei a faculdade. No fim, valeu a pena, o trabalho foi recompensado e batemos na trave.

Conte um pouco como foi o circuito e essa conquista logo na estreia.

Já tinha corrido algumas etapas do mundial antes. Neste ano, conquistei um feito inédito que foi ganhar duas etapas aqui nos EUA, coisa que nenhum estrangeiro havia conseguido. Enfim, fiz uma temporada muito boa e colocamos nosso nome na cena, apesar de ser um pouco difícil se adaptar aos critérios de julgamento. Foi um ano muito bom e representa o começo da minha jornada. Ao mesmo tempo, é meio triste bater na trave, mas depois de meio hora eu já estava amarradão com o vice-campeonato.

Sabemos de outros atletas brasileiros com grande potencial, mas sem um patrocínio de peso, como Leandro Azevedo, Renato Lima e o pessoal do Espírito Santo. Acredita que sua boa performance pode abrir as portas para esses caras no mercado e ajudar a popularizar a modalidade?

Essa conquista não foi apenas minha. Eu representei nosso país e todos os atletas brasileiros da modalidade. Essa galera que você citou tem muito potencial e sempre tive o apoio deles, a torcida deles. Provei para todos os skimboarders do mundo que é possível conquistar um patrocínio e vir bater de frente com os norte-americanos. Foi uma honra representar o Brasil.

Como avalia a cena atual do skimboard brasileiro? Mercado, eventos, marcas, fabricantes de pranchas e etc

Vejo uma cena crescente, com toda certeza. Não só pela minha situação de estar quase conseguindo viver disso, mas, por exemplo, pelo interesse da mídia, especializada ou não, e do público em geral. Apesar do circuito brasileiro ter perdido força, vemos muitos atletas produzindo conteúdo, marcas aparecendo e novos eventos se consolidando. Devagar e com ajuda das redes sociais, cada vez mais gente sabe o que é o skimboard no Brasil. Espero nos próximos anos ver mais atletas com patrocínios, os eventos cada vez mais fortes e as marcas mais estruturadas.

Ano que vem, o plano é correr o circuito mundial novamente e buscar o caneco, certo?

Com certeza! Nosso caneco ainda está guardado e a luta continua. Ter terminado em segundo só serviu de mais estímulo. Estou na Califórnia pegando umas ondas, mas meu treinador pediu para eu parar um mês para meu corpo se recuperar. A temporada foi pesada e eu senti. Mas em novembro já voltamos com a preparação para o circuito de 2019. Se depender de mim, vou estar por aqui por muito tempo ainda. Para a torcida, prometo que mais cedo ou mais tarde esse título vai sair.